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Saiba como foi o segundo dia do Intercom Sul na PUCPR

No segundo dia do Intercom Sul, o movimento continuou intenso na PUCPR. Pela manhã, duas mesas atraíram os olhares dos acadêmicos, profissionais e pesquisadores que passavam pelo auditório Henry Newman (da Biblioteca Central), sendo essas:

* Crise e Mercado de Trabalho em Comunicação – Na qual o professor Zanei Barcellos mediou o bate-papo na presença de profissionais consagrados na área da comunicação como Hamilton Santos, Valci Zuculoto e Rosana Vieira de Souz.

* Mídia e Opinião Pública em Tempos de Lava Jato – Com a mediação de um dos organizadores do evento, professor Marcos José Zablonsky e a presença de Paulo Roberto Gomes da Silva, Lenise Aubrift Klenk e Sérgio Gadini.

Simultaneamente às mesas, aconteceram as oficinas e minicursos relacionadas a publicidade, jornalismo e relações públicas.

Crise de identidade e crise de mercado

Na primeira mesa, a professora Dra. Valci Zuculoto, que atua na Federação Nacional dos Jornalistas assim como na área de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina traçou um panorama histórico do jornalismo, trazendo os múltiplos formatos e possibilidades da profissão no contexto atual.

Apesar de acreditar que a tecnologia e as novas ferramentas contribuem para que o jornalismo seja melhor produzido, infelizmente, ainda há um processo

longo para que os profissionais saibam como utilizar estes recursos, pois a precarização do trabalho e a falta de checagem de informações coloca a mídia diante de uma crise de credibilidade.

“O jornalista não pode ser multitarefa. Claro, ele tem que saber fazer tudo, mas não é possível executar todas as funções com a mesma qualidade. Todas essas transformações dão condições para fazer um jornalismo melhor mas não é o que está acontecendo. Há uma crise no modelo de negócios e uma crise no jornalismo”, opinou.

O diretor Hamilton dos Santos da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), no entanto, trouxe a reflexão de como a tecnologia vêm ajudando a fazer um jornalismo cada vez melhor. Além disso, ele analisa que no momento atual do mercado existe uma descentralização da comunicação, tanto nos meios de produção que estão cada vez mais acessíveis como na formação das três habilitações da comunicação.

“Existe uma crise de identidade naquilo que se chama de mercado. Hoje você se forma um RP, um jornalista ou um publicitário e não há uma área exata para atuar. As possibilidades são muito maiores, o comunicador tem que ser muito mais do que um contador de histórias”, explicou.

A professora Dra. Rosana Viera de Souza, da graduação de publicidade na Universidade Feevale (RS), assim como os outros convidados discutiu as mudanças na mídia digital e os novos formatos que a publicidade tem que encontrar para se adaptar ao mercado. Além de falar sobre links patrocinados, mecanismos de buscas, marketing mobile e mídias sociais ela questionou o currículo das universidades e a aplicação no mercado.

“Como professora na área, uma coisa que penso muito é se o novo currículo da conta de todas essas transformações e qual é o papel da universidade na formação de publicitários e de outras áreas da comunicação”.

Após as mini-palestras, os convidados conversaram entre si e o público pôde interagir com perguntas e comentários dirigidos à mesa.

O papel da mídia em coberturas como a Lava-Jato

A segunda mesa da manhã foi intensa. Com uma duração maior do que a primeira, os participantes permaneceram no auditório Henry Newman até o 12h30. A grande maioria dos presentes visivelmente de outras cidades, além dos acadêmicos e professores da PUCPR.

A mesa foi iniciada pelo professor Dr. Marcos José Zablonsky, com a abertura de Paulo Roberto Gomes da Silva, advogado e Agente da Polícia Federal na classe especial no Departamento Especial (de Polícia Federal), que também ocupa o cargo de Comunicador Social da instituição.

A princípio, a palestra demonstrou o trabalho da PF no contexto de grandes investigações como a Lava-Jato. Não se atendo à cobertura jornalística durante a Operação Lava Jato, Silva enfatizou que todo trabalho desenvolvido com a imprensa segue regras institucionais aplicadas nacionalmente.

“A Comunicação da PF segue uma lei de 2008 que regulamenta toda a atividade da assessoria da imprensa, da divulgação de notas, releases ou entrevistas para qualquer meio de comunicação. Prezamos sempre pela imagem da Polícia Federal e não pela divulgação de funcionários ou departamentos. Além disso, não podemos divulgar a intimidade, nome e vida privada de qualquer pessoa, principalmente dos investigados”, explicou.

O professor Dr. Sérgio Gadini, atualmente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), trouxe uma discussão pontual relacionando o papel da mídia em um recorte atual, além de resgatar outros momentos históricos. Para ele, a mídia faz parte de um status quo, e têm deixado muita coisa a desejar, principalmente pela construção mais de agendamento do que reflexão, o que acaba se tornando cultural, principalmente com interesses comerciais e editoriais.

“Toda vez que a mídia assume o papel de oposição, a estratégia de intervenção da imprensa deixa de lado a universalidade e outras características

essenciais do papel social do jornalismo. A nossa política de comunicação não tem critérios, falamos em um estado laico mas isso não condiz com a legalidade”.

Por fim, a jornalista setorista da Operação Lava Jato na rádio Band News Curitiba, Lenise Aubrift Klenk, falou da rotina jornalística em tempos de pressão temporal e da responsabilidade em preservar o interesse público e a checagem da informação apesar do imediatismo.

“Eu vivo uma angústia diária para analisar se estou sendo usada ou não pela fonte. Se não fizermos essa reflexão, não há como saber à qual lado o jornalismo está servindo. Todo possuem interesses de divulgação. Cabe à nós, apurarmos a informação para divulgar matérias consistentes e que acrescentem algo à vida das pessoas”.

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